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E vamos para a última semana do VIII Sou África em Todos os Sentidos

O mês de Novembro acabou, mas o VIII Sou África em Todos os Sentidos não!!

Depois do momento especial de Reinauguração do Centro de Referência Jongueiras e Jongueiros do Sudeste e do Centro de Documentação Tia Edite Ribeiro Barbosa (Vejam as fotos em https://www.facebook.com/Comunidade-Jongo-Dito-Ribeiro-210733955783015/), vamos para a última semana do Sou África deste ano.

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Corre que ainda dá tempo de participar da nossa programação e como a exposição do Centro de Referência é permanente, você pode aproveitar e visitá-la e saber mais sobre Jongo, sobre outras comunidades do Jongo do Sudeste e Projetos e Ações do Jongo Dito Ribeiro.

Segue programação desta semana:

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06 de dezembro (Terça feira)

10h Cosmovisão dos povos do tronco linguístico Banto e sua relação com a tecnologia. Coord. Lucas César.

14h Quilombo construção de identidade e agricultura quilombola. Coord. Maíra da Silva

19h Assistência Social e as Matrizes Africanas – à confirmar

07 de dezembro (Quarta-feira)

10h Racismo ambiental e impactos urbanos – Coord. Lucas César e Maíra Silva

14h Avaliação das parcerias (2014-2016) e novas estratégias (2017-2018) Coord. Alessandra Ribeiro

08 de dezembro – NÃO ABRIREMOS nesse dia.

20h Evento do Pai Francisco na Casa de Cultura Tainã

09 de dezembro (Sexta-feira)

10h Estratégias para divulgação e acesso ao acervo do CR e Centro de Documentação Coord. Alessandra Ribeiro

14h Oficina Lab Afrohacker (coord. Flávia Machado e Vanessa Dias)

10 de dezembro – (Sábado)

10h Pisa na Tradição – Jardim Bassoli

18h Elesbão – TEATRO NA RUA – Praça Bento Quirino

11 de dezembro Casamento AFRO (Domingo)

É necessário se inscrever e adquirir convites para participar. Informações: alejongo@gmail.com

Vagas limitadas.

AXÉ!!

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Programação do 13º Arraial Afro Julino da Comunidade Jongo Dito Riberio

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“Esse ponto destrava a mente

esse ponto não trava a língua

É na roda de jongo que o mundo gira

É na roda de jongo que o mundo gira

E se o tempo fechar

a nossa estrela ainda brilha

É na roda de jongo que o mundo gira

É na roda de jongo que o mundo gira ” (Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Salve Salve Comunidade! está chegando o 13º Arraial Afro Julino da Comunidade Jongo Dito Ribeiro, esse ano em clima de luta pelos direitos democráticos, o lema é ” Nenhum Direito a Menos” .

Estamos preparando uma festa linda com o melhor da Cultura Afro, Feira de Economia Solidaria com artesanatos e comidas deliciosas . Teremos a tradicional canja e canelinha que são cortesias da casa. E claro muito jongo!

Confira a nossa programação:

12h – Terço a São Benedito

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O terço é uma das formas com que agradecemos a São Benedito por sua proteção a Comunidade Jongo Dito Ribeiro – Campinas/SP.

12h30 – Capoeira IBECA (Campinas/SP)

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O Instituto Brasileiro de Esporte Cultura e Arte – IBECA é uma entidade social, sem fins lucrativos. Foi fundado no dia 30 de Dezembro de 2004, por Tiago de Camargo, conhecido na capoeira como Mestre Formiga e seus alunos de Capoeira. Tem como missão contribuir com o reconhecimento e a valorização da capoeira como um patrimônio cultural imaterial de Campinas/SP, do Brasil e da Humanidade.São parceiros da Casa de Cultura Fazenda Roseira e aqui o Professor Paulo Costa ministra aulas de capoeira todas terças e quintas.Sempre estão presentes em nossos arraiais.

13h30 – Urucungus Puítas e Quijengues (Campinas /SP)

urucungus (foto Robson Sampaio)

Com a liderança de Alceu Estevam e Rosa Líria Pires Sales, o Urucungos foi fundado em 1988 na Universidade Estadual de Campinas-SP (UNICAMP), através de um curso de extensão, ministrada pela Profa de cultura popular Raquel Trindade que o batizou de Urucungos (Berimbau), Puítas (Cuíca) e Quijêngues (Tambor), instrumentos musicais africanos proveniente de Angola e muito difundido no Brasil. O grupo tem como missão principal resgatar, preservar e divulgar a cultura popular brasileira de acordo como elas são manifestadas nas suas origens e apresentada ao público em forma de arte, apresentam danças circulares afro brasileiras como o Coco de  Alagoas, Samba Lenço, Samba de Bumbo, Samba de Roda. A marca  principal do Urucungos é fazer com que o público participe das suas  performances, criando um ambiente de integração coletiva, onde a música, a  dança e as cantorias  mistura-se com as energias das pessoas,  formando neste momento a verdadeira manifestação popular, que é aparticipação do público.

15h – Jongo de Embu das Artes (Embu das Artes/SP)

embu das artesFoi fundado em 4 de julho de 2008, dirigido pelas Mestres Sol e Bina. Filha e mãe de uma família de jongueiros de varias gerações. em Embu quando colocado o Jongo na cidade foi para atrair um publico geral com especial atenção nas crianças que são a garantia de continuidade, para não cair no esquecimento. O resultado do esforço fica visível no mágico encanto das suas aprentações.

16h30 – Aureluce (Campinas/SP)

Aureluce

Aureluce Santos nasceu em Campinas e ensaiou suas primeiras notas no Coral Maria Neves Baltazar até se revelar ao interpretar vários sambistas. Atualmente é reconhecida como “a Dama do Samba de Campinas”, atraindo plateias de todas as idades.

18h -Jongo de Pinheiral (Rio de Janeiro /RJ)

Jongo de Pinheiral

O Grupo Jongo de Pinheiral, formado por moradores da comunidade, mantém viva esta expressão de origem africana deixada pelos negros escravizados da Fazenda São José dos Pinheiros, berço histórico de Pinheiral. Fundado em 1996 com o objetivo de preservar a dança de jongo e aprimorar a biblioteca cultural afro brasileira na região de Pinheiral -RJ.

19h30 – Aláfia (São Paulo/SP)

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Onze personalidades juntas para fazer surgir um som denso, cosmopolita, dançante. Tudo começou em 2011, quando o bando Aláfia esquentava afinidades em uma temporada de shows no Bar B, no centro de São Paulo. A fala da rua, o frescor dos encontros e o contato profundo com a ancestralidade afro-­brasileira então se mostraram aspectos fundamentais para a criação do grupo. Aláfia é o encontro entre o moderno e o tradicional, a periferia e o centro, a simplicidade e a sofisticação, a paz e a luta. Urbano, o bando pertence à cidade em transe. A música do Aláfia surge da digestão dessas influências diversas, do ponto de encontro entre rap,música de terreiro, MPB e funk. Ritmos e melodias dão forma a uma lírica sofisticada que questiona a sociedade atual e não deixa indiferente. Formada por Eduardo Brechó (voz e guitarra), Jairo Pereira (voz), Xênia França (voz), Lucas Cirillo (gaita), Alysson Bruno (percussão), Victor Eduardo (percussão), Pipo Pegoraro (guitarra), Felipe Gomes (bateria), Gil Du arte (trombone e flauta), Fabio Leandro (teclados) e Gabriel Catanzaro (baixo), a banda também conta com inúmeras parcerias e amizades da cena musical atual.

21h- Jongo do Tamandaré (Guaratinguetá/SP)

jongo do tamandaré

O Jongo da saudosa tia Mazé,com existência no bairro do Tamandaré em Guaratinguetá há mais de 100 anos e que há cerca de 10 anos apadrinhou a Comunidade Jongo Dito Ribeiro e nos ensinou a pisar na tradição e reconhecer nossas origens.

22h30- Choque Vermelho (Campinas/SP)

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O Show do Choque Vermelho trás um repertório próprio e interativo do início ao fim de sua performance. Trabalha projeções, performances e mensagens socais que perpassam referências da música afro-brasileira e latina. Seus integrantes são gente dos pontos de cultura, do teatro popular, da mídia livre e dos comunicadores independentes, militantes envolvidos com a efervescente cena da democratização da cultura e do conhecimento, da resistência periférica e marginal de Campinas. Estar num show do Choque Vermelho é como estar dividindo o palco com este.

00h Comunidade Jongo Dito Ribeiro (Campinas/SP)

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A Comunidade Jongo Dito Ribeiro é formada por um grupo que reconstitui a manifestação do jongo em Campinas/SP por meio da memória de familiares de Benedito Ribeiro e outras pessoas que se encontraram e se reconheceram como jongueiras.

01h30 – Fuluke e a Máfia Africana (Campinas /SP)

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O grupo Máfia Africana é um coletivo musical que tem raízes na música negra popular, com influências do camdomblé ao jazz. Com repertório de músicas próprias, as letras dialogam sobre a cultura preta ancestre e atual. Resgatando e fortalecendo os três pilares desta cultura através do RAP: oralidade, ancestralidade e resistência. As rimas em pretoguês de “Fuluke” dão sentido à intervenção musical dos toca-discos e samplers de “Xegado”, acompanhado pelo toques dos tambores de “Brendon” e a força das vozes e cânticos de “Meire”.

03h-Baque de Santa (Santa Barbára D’Oeste/SP)

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Grupo de Maracatu de Baque Virado, Baque de Santa vem de Santa Barbara D’Oeste e tem influencias de diversas nações tradicionais de Maracatu, trazendo a diversidade desse ritmo em sua essência.

04h- Marília Correa (Campinas/SP)

Marilia Correa

Nascida em Campinas, Marília começou a carreira musical em 2009. O timbre e a sensibilidade musical única da artista vêm conquistando cada vez mais espaço nas noites do interior paulista e em grandes capitais. Seu repertório é composto por canções autorais que atraem cada vez mais seguidores e apaixonados por seu trabalho. Além disso, a cantora inclui em seu show grandes nomes como: Djavan, Lenine, Cazuza, Tim Maia, entre outros. Em 2013, Marília assumiu os vocais, violão e percussão de projetos assinados pela produtora 3S, com apoio da ProAc e da Secretaria de Cultura de SP, incluindo a releitura moderna do movimento Tropicalista. Hoje, ela leva arte visual e cultura às escolas, periferias e presídios.

05h Bateria Alcalina (Campinas/SP)

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O Instituto de Artes da UNICAMP é o berço da Bateria Alcalina: em 2003, estudantes da universidade e percussionistas de São Paulo e Campinas formaram esta bateria universitária, que logo se destacou por sua proposta e características singulares. Além do samba, interpreta diversos ritmos afro-brasileiros adaptados para a formação de bateria de escola de samba.

No porão os Djs: Dj Samuca e Dj Brechó (do grupo Aláfia); DJ JP; DJ Taynara; DJ Chakal e nosso mestre de cerimonia o DJ Barata.

DJ Barata

Lucas Barata é natural de Salvador, Bahia. Sediado em São Paulo desde 2001 realiza atividades como DJ, Produtor Cultural, Pesquisador Musical e Livre-Radialista. Como DJ, se interessa mais particularmente pelos ambientes que a música pode ajudar a criar do que pelos processos de audição propriamente ditos, e defende a discotecagem como um motor de dinâmicas sociais, estéticas e festivas, como uma ferramenta de construção de espaços e relações.

Local : Casa de Cultura Fazenda Roseira – Rua Domingos Haddas nº1 , Residencial Parque da Fazenda , referencia: Av John Boyd Dunlop em frente ao Hospital da PUCCII .

Entrada : 1 k de alimento não perecivel (menos sal) ou 10 R$

Data : 9 de julho de 2016 .

Caravana Centro de Referência Jongo – Comunidade Jongo Dito Ribeiro – Campinas-SP

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Como eu cheguei aqui, nem sei

Eu cai nessa roda de jongo

Vovô Dito sabia de tudo

Vovô Dito mandou me buscar…

(Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Chegamos na reta final da Caravana do CR, após tantos sabores, experimentos, emoções…voltar para casa…estar em casa é sempre uma grande alegria.

Nossos mais velhos animados com os registros, contando suas estórias…Dona Vera, Dona Maria, Mestre Dudu sempre ali na roda de jongo fazendo falar seu candongueiro…com os rodopios únicos de Vandir, o sempre mestre sala dessa comunidade.

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Toca esse tambu…toca com amor…porque quando o tambu ecoou e balançou os corações todos entramos nessa roda, na roda de jongo.

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E chega nossa pequena grande Bianca…q disse que não vinha, mas chegou e tocou. Ela que floresceu nesse terreiro desde os 2 anos de idade, como tantas e tantos outros que fazem parte dessa família… sempre chegam…sempre…

Voltamos ao inicio da caravana, voltamos para nossa casa e concluímos mais uma importante etapa.

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Após tantos planos e desejos, chegamos na certeza que não somos mais os mesmos do começo. Foram tantas trocas…tantos saberes…tantos pontos… E aprendizados registrados pelos olhos e filmadora atenta de Felipe Camargo na busca pelo melhor ângulo.

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Os registros fotográficos de Luanda e Neander Heringer…nossa..quantas imagens… e risos…claro!!!!

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Os turbantes de Dandewara e Noélia que coloriram as comunidades visitadas.

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As sábias palavras de dona Maria e as rodas de conversas entre os jovens com Bianca.

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Nossa…teve até quem entrou no bonde…né Flavinha…. e teve que fazer de tudo um pouco.

Salve Mestre Dudu.

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Como uma grande família que somos…aprendendo com a convivência, com os limites, com as expectativas de cada um…sempre com muito amor…que é o que realmente nos une. O AMOR.

E assim foi a caravana…

A chegada em São José dos Campos com a beleza do fogão a lenha dos irmãos jongueiros do grupo Mistura da Raça…

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A força das memórias registradas do mestre Jefinho e seu machado de Xangô, na busca de direitos por terras quilombolas no Tamandaré….

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O quintal de Tia Mazé…com tantas crianças, mulheres e contos… nossa que alegria encontrar com nossos padrinhos reunidos e seus saberes….

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Uma rápida passada em Cunha só pra sentir o gostinho de sua comida…

A pausa por terras e águas em Paraty que é para todas e todos…com direito a forró na madruga e banhos quentes em mar aberto… nossa que mar maravilhoso! Um refresco para seguir viagem em São Luis do Paraitinga…

Nossa a casa de mestre Raizeiro, a cobra, a igreja, o abrigo aconchegante que lá deixamos…

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A chegada em Lorena para seguir viagem para Piquete.

Nossa quantas coisas em Piquete…comidas, turbantes e tirolesa…affff que frio na barriga e que superação para todos nós que nos aventuramos na tirolesa…a 2a maior do Brasil…será????

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E o que dizer de Lagoinha…das violas…das estórias…daquele quintal aconchegante…

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E rumo pra casa paramos em Embu das Artes…que carinho e que mesa de eres cheia de doces maravilhosos…cheia de surpresas, como as falas de Dona Maria sobre a educação…que aula…que alegria.

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Indaiatuba… aquela juventude descobrindo o jongo, com tanta dedicação e amor somado pela força e presença de São José ali irmanados, que bonito tudo isso, salve Barra do Piraí que presenteou São Paulo com seus discípulos jongueiros e nossas terras paulistas.

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E quando achávamos que só haviam transcrições e diagramação…chegamos em casa…na nossa casa…com nossos sorrisos, abraços e a singela alegria de sermos gratos por mais essa oportunidade.

Pela oportunidade de auxiliar na salvaguarda do jongo e de nossos mestres jongueiros.

Nossa casa, e que bom poder dizer isso agora, porque quando elaboramos o Plano de Salvaguarda do Jongo do Sudeste em 2011 no Pontão do Jongo/Caxambú e iniciamos a ideia de CR, nunca imaginávamos que em São Paulo seríamos nós, parte desse grande presente que é estar com nossos jongueiros com tanta grandeza e generosidade por parte de cada um deles que nos acolheu nessa caminhada.

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Pois, com os recursos desse convênio pudemos auxiliar os Encontros Paulistas de 2014 ( Guaratinguetá) e 2015 (Embu das Artes), pudemos registrar muitos momentos que somarão aos acervos de salvaguarda de nossas comunidades, nos aproximamos das comunidades jongueiras de São Paulo e somos 8 comunidades tradicionais de jongo que se conhecem e se reconhecem… creio que em breve encontraremos outras, mas nossa!!!” Quantas conquistas e vitórias como a nossa própria oficialização da Permissão de Uso fortalecido nesse processo, quanto parte dessas conquistas do CR (Centro de Referência do Jongo) após 7 anos de luta e muito trabalho.

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Salve Dito Ribeiro!!!!

Salve nosso ancestral jongueiro!!!!

O Centro de Referência Jongueiros e Jongueiras do Sudeste Comunidade Jogo Dito Ribeiro – Campinas SP encerra sua primeira etapa de registros, mas continua em reta final desse convênio, mas vibra e celebra a alegria vindoura quando todos esses materiais serão compartilhados com o livro, documentário e site com lançamento previsto em breve.

A frase do dia certamente a SEMPRE NOSSA: ” Eu seguro sua mão na minha, para que JUNTOS possamos fazer, aquilo que eu não posso fazer sozinho”.

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O aprendizado jamais esquecido por nós: “Nunca é tarde para voltarmos atrás e buscarmos a nossas raízes”.

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 E com a certeza que já já teremos muito mais a compartilhar, por agora como diz Vandir:

” Valeu Comunidade Jongo Dito Ribeiro!!!!!

E todos respondem sempre: Valeu!!!!!!

Cachuera…

Texto: Alessandra Ribeiro

Fotos: Neander Heringer

Assista a entrevista na íntegra da Comunidade Jongo Dito Ribeiro de Campinas-SP:

Caravana Centro de Referência Jongo – Comunidade Jongo Filhos da Semente Indaiatuba

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Um canto que ecoava…no tempo do cativeiro
nego cantava pra espantar seu sofrimento
no seu tambu, ecoava o seu tormento
Um canto que ecoava…

Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro

Saimos cedinho para visitar a Comunidade Filhos da Semente, nossos vizinhos da cidade de Indaiatuba e irmãos de Jongo. Chegamos na casa de Jociara, liderança da comunidade e filha do falecido jongueiro e Mestre Tio Juca de Barra do Piraí RJ .

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Os caminhos da vida a guiaram até a cidade de Indaiatuba que até então não era terra de jongueiro, mas como a ancestralidade fala mais alto e  o jongo não pode acabar, Jociara mantém a tradição de sua família e ai que nascem os jongueiros novos da Comunidade Filhos da Semente, nome que homenageia o jongo Sementes de África do qual Jociara fazia parte em Barra do Piraí – RJ.

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Fomos recebidos com muita alegria por toda a comunidade, também estavam presentes a liderança Marcia , jovem jongueira Luciana e Mestre  Laudeni da Comunidade Mistura da Raça e padrinhos do Jongo de Indaiatuba.

Fizemos uma roda com os tambus da comunidade no centro: Caxambu, Candongueiro e Mucoco, e de mãos dadas, Jociara diz “ Eu seguro a sua mão na minha para que juntos possamos fazer aquilo que não podemos fazer sozinhos” frase que ela repete, inspirada na  prática da Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

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A mesa de café da manhã estava deliciosa, frutas , pães, suco , café e um bolo de banana que vai ficar na história….maravilhosssssssssssssssssssssssssooooooo

Após o café a divisão dos afazeres do dia , entrevistas, receitas da culinária da comunidade e oficina de torsos e turbantes.

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A oficina de torsos e turbantes foi um sucesso, aprendemos sobre a história, identidade e diversas amarrações. Conforme as pessoas iam aprendendo a fazer as amarrações, mais empolgadas iam ficando, os risos vão virando gargalhadas e a admiração de um pelo outro foi tanta que tínhamos que nos conter para não atrapalhar a gravação da entrevista que estava sendo feita logo ali ao lado, é ai que vemos que Turbante é poder, é alegria e bem viver!

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Na cozinha já começava a nos embriagar um cheiro bom, Dona Bené e Nádia estavam preparando uma bela Vaca Atolada, nós anotamos direitinho a receita e tivemos uma boa prosa na cozinha sobre as delicias de Minas que nós “emprestamos”.

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Saimos da casa da liderança Jociara rumo pra roda de jongo e almoço no Casarão do Pau Preto no centro da cidade, um casarão antigo dos tempos da escravidão que hoje serve de base para as vivências da Comunidade Filhos da Semente, mais um espaço onde a cultura do Jongo se faz na resistência em uma cidade que nem comemora o 20 de novembro.

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Mas tudo é construção. Ali devoramos e nos atolamos literalmente na deliciosa Vaca Atolada , e depois como não podia faltar fizemos a roda de jongo.

“ Peço licença
licença pra tambú
Peço licença a candongueiro
Porque sou jongueiro novo”
Ponto de abertura que a Comunidade Filhos da Semente abre a roda

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A frase que ficou hoje “ A importância que é nos encontrarmos independente de edital, arroz e feijão sempre tem em casa e como diz la em Barra, depois que fechou a porta fica todo mundo dentro” .

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Como bem disse nossa liderança Alessandra, é muito gostoso estar na casa dos irmãos… e assim finalizamos a essa primeira GRANDE etapa de visitas nas casas de nossos irmãos, com a Caravana do Centro de Referência Jongueiras e Jongueiros do Sudeste –

Texto: Flávia Machado

Fotos: Neander Heringer

COMUNIDADE JONGO DITO RIBEIRO – Campinas SP.

Cachueira!!

Assista na Íntegra a Entrevista com a Comunidade de Jongo Filhos da Semente:

Caravana Centro de Referência Jongo – Comunidade Jongo Embu das Artes

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“Tava andando na beira do mar

Quando vovô me disse  vem meu filho vem jongar

Pois a angoma não pode parar

Jongueiro  que é jongueiro

Jonga em qualquer lugar”

Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro

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Chegamos em Embu das Artes e rodamos um pouco até encontrarmos com  a Sol , liderança da Comunidade Jongo de Embu das Artes  que nos conduziu até sua casa.

Fomos recebidos  com um delicioso café da manha completo com frutas, bolo de milho , pães e até coalhada. Logo nos dividimos a equipe para o trabalho de foto , filmagem , acompanhamento da receita culinária, entrevistas com os mais velhos  e com a juventude .

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Assim conhecemos o precioso quintal de Sol que abriga a sua comunidade jongueira. Enquanto  os registros  eram realizados , da cozinha saia um cheiro gostoso do preparo  do almoço e o menu era Canjiquinha a Moda da Sol, enquanto no quintal dona Maria, encantava seus jovens educadores com suas memórias da época em que foi professora da educação infantil, um registro precioso para todos nós.

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Na cozinha encontramos a Mestra jongueira Tia Ana de 84 anos , filha de um folião de reis  que nasceu em uma fazenda  em  Itajubá , disse que conhecia o jongo desde pequena mas não dançava porque era coisa de velho, hoje atendendo ao chamado de Sol que é sua sobrinha  ela  faz parte da Comunidade Jongo de Embu das Artes e também do Jongo de Piquete, já que Gil e Sol são irmãos .

A comunidade  é composta por muita gente jovem , que esta antenada nas questões que dizem respeito a cultura negra . Os pontos são marcados por essa crítica, como exemplo o ponto que fala sobre os cabelos afro.

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“Eu disse solta o cabelo ela soltou, olha a coroa a rainha se libertou’’ Ponto da Comunidade Embu das Artes

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Depois dos registros  fizemos uma roda de Jongo como não poderia faltar , assim pudemos sentir a força emocionante de  candongueiro , tambus e caxambu,  os tambores da comunidade.  Nesse terreiro  de uma galinha só vimos a beleza da juventude piando seus pontos.

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Após a roda de jongo o almoço foi servido em clima de festa com a banda de forró Raul e os Pirilampos,  tinha gente que não sabia se comia ou dançava. A sobremesa  foi uma  mesa para Cosme e Damião de portas abertas para a vizinhança e os “Eres”  que  chegavam para festejar e se lambuzar com as delícias.

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A comunidade  foi muito acolhedora, o quintal da Sol representa a resistência do povo jongueiro , que mantém a cultura com simplicidade , compromisso e muita alegria, agregando pessoas não só de Embu das Artes mas outras cidades dos arredores e também da Capital.

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Agradecemos a receptividade e o carinho que todos tiveram conosco  e já estamos esperando o reencontro no Arraial Afro Julino 2016.

A Frase do dia foi:

Cada comunidade tem seu jeito de dançar (frase dita por Sol, liderança  da comunidade Jongo de Embu das Artes )

Texto: Flavia Machado – Jongueira da Comunidade Jongo Dito Ribeiro

Fotos: Neander Heringer – Ponto de Cultura NINA

Assista a Entrevista na Íntegra com a Comunidade de Jongo Embu das Artes:

Caravana Centro de Referência Jongo – Última Parada: Lagoinha e as Culturas Populares

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”Vai se embora rola,

Vai chorar pra lá,

Eu já te disse rola,

Que você não sabe amar ”

(Cantiga de Caranguejo)

O hoje o dia foi bem corrido, Lagoinha é a nossa última parada antes de voltar pra Campinas, e já que não queríamos pegar estrada de madrugada saímos cedinho.

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Encontramos com o Mestre Gil do Jongo de Piquete-SP que nos acompanhou até a casa do Seu Amarildo, que é a Liderança do Jongo de Lagoinha, um Jovem Senhor de aproximadamente 55 anos, muito risonho, carismático e observador.

Fomos muito bem recebidos, Seu Amarildo já tinha preparado o café da manhã, com pães francês, queijo de Minas e um requeijão de prato que nós nunca tínhamos visto e nem experimentado, que por sinal, é uma delícia rsrs.

Conhecemos também o Seu Zé, que é o senhor que faz os tambores do Jongo de Lagoinha.

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Já logo nos acomodamos na cozinha enquanto Mestre Gil do Jongo de Piquete-SP afinava sua viola. Moda de Viola em Lagoinha é muito forte, praticamente todos homens da cidade são Violeiros!

E rapidamente de Músicas de Viola já mudamos pro Jongo, que é o nosso principal foco…

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Seu Amarildo fez questão de cantar um ponto improvisado na hora pra mostrar seus talentos de jongueiro rsrs

Enquanto tocávamos, nossa Mestre e Liderança Alê Ribeiro de Dito Ribeiro aproveitou o momento para tirarmos algumas dúvidas sobre a cidade e sobre o Jongo.

Após um bom papo, decidimos aprender o Caranguejo e o Bate Pé, que são danças com bastante influência na cidade, tocadas por Violas… eeeeita dança boa!!

Depois nos encaminhamos pro lugar aonde iriamos almoçar.

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Chegamos na casa do Seu Jéca que é um dos membros do Jongo de Lagoinha que nos recebeu de braços abertos juntamente da sua família, que logo nos levaram até o Rancho… Pensem numa casa imensa rsrs.

E mais uma vez, o fogão a lenha já estava aceso e o cheiro da comida exalando em nossos narizes…

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Antes que a fome apertasse, decidimos começarmos nossos trabalhos formais, pois o tempo também já estava a se fechar.

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Terminamos nossa roda de conversa com o Jongo de Lagoinha. Nesta roda, Dona Maria do Jongo Dito Ribeiro, que foi uma de nossas companheiras importantíssimas em todas as paradas, recebeu sua justa homenagem pelos atenciosos e receptivos jongueiros de Lagoinha…

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Fizeram até um ponto, nele diziam que ela era a RAINHA e todas nós princesas rsrsrs

Foi engraçado vê-la dançando, rindo e toda faceira sendo homenageada pelos jongueiros!!

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A roda pegou fogo e foi difícil fechar…

Mas, a fome apertou e fomos degustar nosso almoço Caipira: torresmo, canjiquinha, feião gordo, arroz branco, carne de porco, bisteca… afffffffffff e pudim de padaria com leite caseiro… Imaginem toda essa gulodice, depois de comer foi até difícil levantar rsrs.

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Nos despedimos com muitos abraços apertados e falas de agradecimentos, mesmo não sendo fácil achar palavras que possam expressar nossa gratidão e felicidade por poder pisar naquele chão!

” O senhor jongueiro,

O cheiro está muito bom,

A comida está na mesa,

E aqui nesse terreiro,

Só tem Rainha e Princesas ”

(Ponto do Jongo de Lagoinha)

Ao final, nos despedimos dessa caravana com muitas lembranças, memórias, aprendizados e vivências e aguardamos ansiosamente os próximos encontros. E que o Centro de Referência de Jongo de Campinas continue a todo vapor. Até a próxima.

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Bianca Lucia Martins Lopes, Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Fotos: Neander Heringer (Ponto de Cultura NINA).

Assista a entrevista na íntegra com o grupo cultural Orgulho Caipira:

Caravana Centro De Referência Jongo – Quinta Parada: “Piquete – Comunidade Jongo de Piquete”

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” Ô Galo Rosa,

Tenha dó do meu pená,

Minhas penas são douradas galo sereno,

Eu tenho medo de morar na engoma ”

(Ponto do Jongo de Piquete)

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Hoje fomos até Lorena-SP, para nos encontrarmos com o Mestre Gil do Jongo de Piquete-SP, lá fizemos umas paradinha de 10 minutinhos até que ele chegasse para nos guiar até Piquete, aonde iríamos ficar e começar nossos trabalhos.

Chegando, fomos muito bem recebidos por sua família, Élida Liderança do Jongo de Piquete, sua mãe Dona Vera Lucia, Suellen sua irmã e seus dois filhos, Letícia e João que nos apresentaram sua casa e quintal imenso, com ferramentas de que ainda irão construir mais três quartos.

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Mestre Gil conta que é nesse quintal maravilhoso aonde acontece a grande Festa de Santo Antônio realizada pelos jongueiros, que recebe aproximadamente 300 pessoas e um fogão a lenha gigantesco…

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Almoçamos por ali mesmo: arroz, feijão gordo, costelinha e salada de alface, tomates cereja, com almeirão, uma delícia!!

Terminamos de comer e já nos direcionamos até o Hotel aonde iríamos ficar, o Vale das Colinas.

Um lugar imenso, muito acolhedor com uma piscina para relaxarmos rsrs. Depois de um pequeno momento de lazer, nos aprontamos e já tratamos de ir pra casa do Mestre Gil, aonde iríamos realizar nossa roda de conversa. Ao chegarmos, alguns membros do Jongo de Piquete nos receberam com sorrisos e felicitações de saudades e logo sentimos o calor do fogão a lenha, que já estava ligado sendo conduzido pelo Mestre Gil, com a Canjiquinha e torresmos no fogo!

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Sentamos todos no quintal para a Oficina de Torços e Turbantes com as irmãs Jongueiras de Dito Ribeiro Dandewara e Noélia, até que o Mestre Gil estivesse pronto para conversamos.

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Incrível como as Mulheres do Jongo de Piquete se sentiram empoderadas com os Torços e Turbantes nas cabeças, e as crianças não queriam tirar por nada!

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Jantamos a Canjiquinha com torresmo do Mestre Gil, tão saborosa quanto as outras que já experimentamos nessa nossa Caravana de Pesquisa de Campo.

Já eram 23h e ainda não tínhamos começado nossos trabalhos de entrevistas, com o ritmo de viagem entre estrada e cidades estávamos bem cansados, então, decidimos fazer a parte da entrevista no dia seguinte.

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” O que é que o Quico quer

O Quico quer caqui (2x)

Que caqui que o Quico quer

Quico quer qualquer caqui (2x) ”

(Ponto do Jongo de Piquete)

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Acordamos e tomamos o café da manhã na pousada mesmo… Na hora do almoço já nos encaminhamos até a casa do Mestre Gil para começarmos nossas atividades do dia, fomos recebidos com a lenha do Fogão já quentíssima e uma farofa deliciosa no fogo, almoçamos e depois fomos conhecer alguns pontos da cidade de Piquete-SP que o Mestre Gil fez questão de nos apresentar…

O primeiro lugar que fomos, foi a vista do bairro Caixa D’água, uma montanha gigantesca aonde enxergamos além do bairro da comunidade de jongo a fábrica de Armamento Bélico do Brasil.

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O segundo foi a Serra da Mantiqueira, aonde tinha uma Tirolesa imensa de quase 1 quilomêtro, construída por um senhor de 84 anos que aos 79 desceu pela primeira vez, Seu Josildo. É considerada a segunda maior do Brasil… Bianca, Noélia, Luanda e Alessandra Mestre e Liderança da Comunidade Jongo Dito Ribeiro, Felipe e Neander dos registros se aventuraram e foram experimentar essa aventura, inesquecível… Disseram que deu muito frio na barriga, mas que a sensação de ver aquela paisagem era emocionante!

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Brindamos a superação da nossa Mestre e Liderança Alê Ribeiro que não ia em esportes radicais aproximadamente há 10 anos e pertinho dos seus 4.0 de idade que irá completar daqui alguns dias.

A felicidade estampada no rosto de cada um era contagiante!!!

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A terceira parada foi na Igreja das Almas (Matriz Velha), construída em frente ao Cemitério Municipal em 1875, aonde se deu início na cidade de Piquete-SP.

E a quarta e última parada foi na Estação Ferroviária e Museu, que hoje é o Cartório Eleitoral. Essa estação de trem sempre foi um espaço funcional pra cidade, após 35 anos que parou sua atividade ferroviária, a chave foi entregue duas vezes para o Jongo de Piquete com o objetivo que se fizesse a Casa do Jongo ou até mesmo um espaço Cultural como um Centro de Referência do Jongo. Porém, as chaves foram entregues e dias depois recolhidas, com os argumento.

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” DEVOLVE AS CHAVES ”. Ou seja, o Jongo em Piquete continua sem sede.

Logo após a estação de trem, nos encaminhamos até a casa do Mestre Gil para iniciarmos nossos trabalhos formais, o registro das entrevistas.

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Chegamos e já fomos preparando os equipamentos…

Aos poucos foram chegando alguns membros do Jongo de Piquete que deram início na janta, enquanto começávamos a gravar.

A roda de conversa foi maravilhosa, muitas histórias de visões espirituais que nos deixaram mais curiosos, como uma comunidade Católica tem relação com a espiritualidade assim, tão forte rsrsrs.

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Tiramos a foto principal e partimos pra roda de jongo.

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Terminamos o Jongo e fomos todos jantar em comunhão. Que vivência boa rsrs. A frase de hoje é: “O jongo é banto, mas o tempo… é santo”.

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Saravá Piquete!

” Macaco pula galho,

Eu também quero pular,

Tatu tá cavucando,

Quero ver tamanduá ”

(Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Bianca Lucia Martins Lopes, Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Fotos: Neander Heringer (Ponto de Cultura NINA)

Assista a entrevista na íntegra com a Comunidade Jongo de Piquete: