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Caravana Centro de Referência Jongo – Comunidade Jongo Dito Ribeiro – Campinas-SP

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Como eu cheguei aqui, nem sei

Eu cai nessa roda de jongo

Vovô Dito sabia de tudo

Vovô Dito mandou me buscar…

(Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Chegamos na reta final da Caravana do CR, após tantos sabores, experimentos, emoções…voltar para casa…estar em casa é sempre uma grande alegria.

Nossos mais velhos animados com os registros, contando suas estórias…Dona Vera, Dona Maria, Mestre Dudu sempre ali na roda de jongo fazendo falar seu candongueiro…com os rodopios únicos de Vandir, o sempre mestre sala dessa comunidade.

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Toca esse tambu…toca com amor…porque quando o tambu ecoou e balançou os corações todos entramos nessa roda, na roda de jongo.

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E chega nossa pequena grande Bianca…q disse que não vinha, mas chegou e tocou. Ela que floresceu nesse terreiro desde os 2 anos de idade, como tantas e tantos outros que fazem parte dessa família… sempre chegam…sempre…

Voltamos ao inicio da caravana, voltamos para nossa casa e concluímos mais uma importante etapa.

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Após tantos planos e desejos, chegamos na certeza que não somos mais os mesmos do começo. Foram tantas trocas…tantos saberes…tantos pontos… E aprendizados registrados pelos olhos e filmadora atenta de Felipe Camargo na busca pelo melhor ângulo.

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Os registros fotográficos de Luanda e Neander Heringer…nossa..quantas imagens… e risos…claro!!!!

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Os turbantes de Dandewara e Noélia que coloriram as comunidades visitadas.

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As sábias palavras de dona Maria e as rodas de conversas entre os jovens com Bianca.

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Nossa…teve até quem entrou no bonde…né Flavinha…. e teve que fazer de tudo um pouco.

Salve Mestre Dudu.

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Como uma grande família que somos…aprendendo com a convivência, com os limites, com as expectativas de cada um…sempre com muito amor…que é o que realmente nos une. O AMOR.

E assim foi a caravana…

A chegada em São José dos Campos com a beleza do fogão a lenha dos irmãos jongueiros do grupo Mistura da Raça…

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A força das memórias registradas do mestre Jefinho e seu machado de Xangô, na busca de direitos por terras quilombolas no Tamandaré….

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O quintal de Tia Mazé…com tantas crianças, mulheres e contos… nossa que alegria encontrar com nossos padrinhos reunidos e seus saberes….

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Uma rápida passada em Cunha só pra sentir o gostinho de sua comida…

A pausa por terras e águas em Paraty que é para todas e todos…com direito a forró na madruga e banhos quentes em mar aberto… nossa que mar maravilhoso! Um refresco para seguir viagem em São Luis do Paraitinga…

Nossa a casa de mestre Raizeiro, a cobra, a igreja, o abrigo aconchegante que lá deixamos…

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A chegada em Lorena para seguir viagem para Piquete.

Nossa quantas coisas em Piquete…comidas, turbantes e tirolesa…affff que frio na barriga e que superação para todos nós que nos aventuramos na tirolesa…a 2a maior do Brasil…será????

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E o que dizer de Lagoinha…das violas…das estórias…daquele quintal aconchegante…

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E rumo pra casa paramos em Embu das Artes…que carinho e que mesa de eres cheia de doces maravilhosos…cheia de surpresas, como as falas de Dona Maria sobre a educação…que aula…que alegria.

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Indaiatuba… aquela juventude descobrindo o jongo, com tanta dedicação e amor somado pela força e presença de São José ali irmanados, que bonito tudo isso, salve Barra do Piraí que presenteou São Paulo com seus discípulos jongueiros e nossas terras paulistas.

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E quando achávamos que só haviam transcrições e diagramação…chegamos em casa…na nossa casa…com nossos sorrisos, abraços e a singela alegria de sermos gratos por mais essa oportunidade.

Pela oportunidade de auxiliar na salvaguarda do jongo e de nossos mestres jongueiros.

Nossa casa, e que bom poder dizer isso agora, porque quando elaboramos o Plano de Salvaguarda do Jongo do Sudeste em 2011 no Pontão do Jongo/Caxambú e iniciamos a ideia de CR, nunca imaginávamos que em São Paulo seríamos nós, parte desse grande presente que é estar com nossos jongueiros com tanta grandeza e generosidade por parte de cada um deles que nos acolheu nessa caminhada.

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Pois, com os recursos desse convênio pudemos auxiliar os Encontros Paulistas de 2014 ( Guaratinguetá) e 2015 (Embu das Artes), pudemos registrar muitos momentos que somarão aos acervos de salvaguarda de nossas comunidades, nos aproximamos das comunidades jongueiras de São Paulo e somos 8 comunidades tradicionais de jongo que se conhecem e se reconhecem… creio que em breve encontraremos outras, mas nossa!!!” Quantas conquistas e vitórias como a nossa própria oficialização da Permissão de Uso fortalecido nesse processo, quanto parte dessas conquistas do CR (Centro de Referência do Jongo) após 7 anos de luta e muito trabalho.

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Salve Dito Ribeiro!!!!

Salve nosso ancestral jongueiro!!!!

O Centro de Referência Jongueiros e Jongueiras do Sudeste Comunidade Jogo Dito Ribeiro – Campinas SP encerra sua primeira etapa de registros, mas continua em reta final desse convênio, mas vibra e celebra a alegria vindoura quando todos esses materiais serão compartilhados com o livro, documentário e site com lançamento previsto em breve.

A frase do dia certamente a SEMPRE NOSSA: ” Eu seguro sua mão na minha, para que JUNTOS possamos fazer, aquilo que eu não posso fazer sozinho”.

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O aprendizado jamais esquecido por nós: “Nunca é tarde para voltarmos atrás e buscarmos a nossas raízes”.

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 E com a certeza que já já teremos muito mais a compartilhar, por agora como diz Vandir:

” Valeu Comunidade Jongo Dito Ribeiro!!!!!

E todos respondem sempre: Valeu!!!!!!

Cachuera…

Texto: Alessandra Ribeiro

Fotos: Neander Heringer

Assista a entrevista na íntegra da Comunidade Jongo Dito Ribeiro de Campinas-SP:

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Caravana Centro de Referência Jongo – Comunidade Jongo Filhos da Semente Indaiatuba

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Um canto que ecoava…no tempo do cativeiro
nego cantava pra espantar seu sofrimento
no seu tambu, ecoava o seu tormento
Um canto que ecoava…

Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro

Saimos cedinho para visitar a Comunidade Filhos da Semente, nossos vizinhos da cidade de Indaiatuba e irmãos de Jongo. Chegamos na casa de Jociara, liderança da comunidade e filha do falecido jongueiro e Mestre Tio Juca de Barra do Piraí RJ .

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Os caminhos da vida a guiaram até a cidade de Indaiatuba que até então não era terra de jongueiro, mas como a ancestralidade fala mais alto e  o jongo não pode acabar, Jociara mantém a tradição de sua família e ai que nascem os jongueiros novos da Comunidade Filhos da Semente, nome que homenageia o jongo Sementes de África do qual Jociara fazia parte em Barra do Piraí – RJ.

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Fomos recebidos com muita alegria por toda a comunidade, também estavam presentes a liderança Marcia , jovem jongueira Luciana e Mestre  Laudeni da Comunidade Mistura da Raça e padrinhos do Jongo de Indaiatuba.

Fizemos uma roda com os tambus da comunidade no centro: Caxambu, Candongueiro e Mucoco, e de mãos dadas, Jociara diz “ Eu seguro a sua mão na minha para que juntos possamos fazer aquilo que não podemos fazer sozinhos” frase que ela repete, inspirada na  prática da Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

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A mesa de café da manhã estava deliciosa, frutas , pães, suco , café e um bolo de banana que vai ficar na história….maravilhosssssssssssssssssssssssssooooooo

Após o café a divisão dos afazeres do dia , entrevistas, receitas da culinária da comunidade e oficina de torsos e turbantes.

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A oficina de torsos e turbantes foi um sucesso, aprendemos sobre a história, identidade e diversas amarrações. Conforme as pessoas iam aprendendo a fazer as amarrações, mais empolgadas iam ficando, os risos vão virando gargalhadas e a admiração de um pelo outro foi tanta que tínhamos que nos conter para não atrapalhar a gravação da entrevista que estava sendo feita logo ali ao lado, é ai que vemos que Turbante é poder, é alegria e bem viver!

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Na cozinha já começava a nos embriagar um cheiro bom, Dona Bené e Nádia estavam preparando uma bela Vaca Atolada, nós anotamos direitinho a receita e tivemos uma boa prosa na cozinha sobre as delicias de Minas que nós “emprestamos”.

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Saimos da casa da liderança Jociara rumo pra roda de jongo e almoço no Casarão do Pau Preto no centro da cidade, um casarão antigo dos tempos da escravidão que hoje serve de base para as vivências da Comunidade Filhos da Semente, mais um espaço onde a cultura do Jongo se faz na resistência em uma cidade que nem comemora o 20 de novembro.

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Mas tudo é construção. Ali devoramos e nos atolamos literalmente na deliciosa Vaca Atolada , e depois como não podia faltar fizemos a roda de jongo.

“ Peço licença
licença pra tambú
Peço licença a candongueiro
Porque sou jongueiro novo”
Ponto de abertura que a Comunidade Filhos da Semente abre a roda

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A frase que ficou hoje “ A importância que é nos encontrarmos independente de edital, arroz e feijão sempre tem em casa e como diz la em Barra, depois que fechou a porta fica todo mundo dentro” .

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Como bem disse nossa liderança Alessandra, é muito gostoso estar na casa dos irmãos… e assim finalizamos a essa primeira GRANDE etapa de visitas nas casas de nossos irmãos, com a Caravana do Centro de Referência Jongueiras e Jongueiros do Sudeste –

Texto: Flávia Machado

Fotos: Neander Heringer

COMUNIDADE JONGO DITO RIBEIRO – Campinas SP.

Cachueira!!

Assista na Íntegra a Entrevista com a Comunidade de Jongo Filhos da Semente:

Caravana Centro de Referência Jongo – Comunidade Jongo Embu das Artes

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“Tava andando na beira do mar

Quando vovô me disse  vem meu filho vem jongar

Pois a angoma não pode parar

Jongueiro  que é jongueiro

Jonga em qualquer lugar”

Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro

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Chegamos em Embu das Artes e rodamos um pouco até encontrarmos com  a Sol , liderança da Comunidade Jongo de Embu das Artes  que nos conduziu até sua casa.

Fomos recebidos  com um delicioso café da manha completo com frutas, bolo de milho , pães e até coalhada. Logo nos dividimos a equipe para o trabalho de foto , filmagem , acompanhamento da receita culinária, entrevistas com os mais velhos  e com a juventude .

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Assim conhecemos o precioso quintal de Sol que abriga a sua comunidade jongueira. Enquanto  os registros  eram realizados , da cozinha saia um cheiro gostoso do preparo  do almoço e o menu era Canjiquinha a Moda da Sol, enquanto no quintal dona Maria, encantava seus jovens educadores com suas memórias da época em que foi professora da educação infantil, um registro precioso para todos nós.

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Na cozinha encontramos a Mestra jongueira Tia Ana de 84 anos , filha de um folião de reis  que nasceu em uma fazenda  em  Itajubá , disse que conhecia o jongo desde pequena mas não dançava porque era coisa de velho, hoje atendendo ao chamado de Sol que é sua sobrinha  ela  faz parte da Comunidade Jongo de Embu das Artes e também do Jongo de Piquete, já que Gil e Sol são irmãos .

A comunidade  é composta por muita gente jovem , que esta antenada nas questões que dizem respeito a cultura negra . Os pontos são marcados por essa crítica, como exemplo o ponto que fala sobre os cabelos afro.

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“Eu disse solta o cabelo ela soltou, olha a coroa a rainha se libertou’’ Ponto da Comunidade Embu das Artes

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Depois dos registros  fizemos uma roda de Jongo como não poderia faltar , assim pudemos sentir a força emocionante de  candongueiro , tambus e caxambu,  os tambores da comunidade.  Nesse terreiro  de uma galinha só vimos a beleza da juventude piando seus pontos.

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Após a roda de jongo o almoço foi servido em clima de festa com a banda de forró Raul e os Pirilampos,  tinha gente que não sabia se comia ou dançava. A sobremesa  foi uma  mesa para Cosme e Damião de portas abertas para a vizinhança e os “Eres”  que  chegavam para festejar e se lambuzar com as delícias.

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A comunidade  foi muito acolhedora, o quintal da Sol representa a resistência do povo jongueiro , que mantém a cultura com simplicidade , compromisso e muita alegria, agregando pessoas não só de Embu das Artes mas outras cidades dos arredores e também da Capital.

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Agradecemos a receptividade e o carinho que todos tiveram conosco  e já estamos esperando o reencontro no Arraial Afro Julino 2016.

A Frase do dia foi:

Cada comunidade tem seu jeito de dançar (frase dita por Sol, liderança  da comunidade Jongo de Embu das Artes )

Texto: Flavia Machado – Jongueira da Comunidade Jongo Dito Ribeiro

Fotos: Neander Heringer – Ponto de Cultura NINA

Assista a Entrevista na Íntegra com a Comunidade de Jongo Embu das Artes:

Caravana Centro de Referência Jongo – Última Parada: Lagoinha e as Culturas Populares

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”Vai se embora rola,

Vai chorar pra lá,

Eu já te disse rola,

Que você não sabe amar ”

(Cantiga de Caranguejo)

O hoje o dia foi bem corrido, Lagoinha é a nossa última parada antes de voltar pra Campinas, e já que não queríamos pegar estrada de madrugada saímos cedinho.

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Encontramos com o Mestre Gil do Jongo de Piquete-SP que nos acompanhou até a casa do Seu Amarildo, que é a Liderança do Jongo de Lagoinha, um Jovem Senhor de aproximadamente 55 anos, muito risonho, carismático e observador.

Fomos muito bem recebidos, Seu Amarildo já tinha preparado o café da manhã, com pães francês, queijo de Minas e um requeijão de prato que nós nunca tínhamos visto e nem experimentado, que por sinal, é uma delícia rsrs.

Conhecemos também o Seu Zé, que é o senhor que faz os tambores do Jongo de Lagoinha.

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Já logo nos acomodamos na cozinha enquanto Mestre Gil do Jongo de Piquete-SP afinava sua viola. Moda de Viola em Lagoinha é muito forte, praticamente todos homens da cidade são Violeiros!

E rapidamente de Músicas de Viola já mudamos pro Jongo, que é o nosso principal foco…

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Seu Amarildo fez questão de cantar um ponto improvisado na hora pra mostrar seus talentos de jongueiro rsrs

Enquanto tocávamos, nossa Mestre e Liderança Alê Ribeiro de Dito Ribeiro aproveitou o momento para tirarmos algumas dúvidas sobre a cidade e sobre o Jongo.

Após um bom papo, decidimos aprender o Caranguejo e o Bate Pé, que são danças com bastante influência na cidade, tocadas por Violas… eeeeita dança boa!!

Depois nos encaminhamos pro lugar aonde iriamos almoçar.

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Chegamos na casa do Seu Jéca que é um dos membros do Jongo de Lagoinha que nos recebeu de braços abertos juntamente da sua família, que logo nos levaram até o Rancho… Pensem numa casa imensa rsrs.

E mais uma vez, o fogão a lenha já estava aceso e o cheiro da comida exalando em nossos narizes…

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Antes que a fome apertasse, decidimos começarmos nossos trabalhos formais, pois o tempo também já estava a se fechar.

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Terminamos nossa roda de conversa com o Jongo de Lagoinha. Nesta roda, Dona Maria do Jongo Dito Ribeiro, que foi uma de nossas companheiras importantíssimas em todas as paradas, recebeu sua justa homenagem pelos atenciosos e receptivos jongueiros de Lagoinha…

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Fizeram até um ponto, nele diziam que ela era a RAINHA e todas nós princesas rsrsrs

Foi engraçado vê-la dançando, rindo e toda faceira sendo homenageada pelos jongueiros!!

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A roda pegou fogo e foi difícil fechar…

Mas, a fome apertou e fomos degustar nosso almoço Caipira: torresmo, canjiquinha, feião gordo, arroz branco, carne de porco, bisteca… afffffffffff e pudim de padaria com leite caseiro… Imaginem toda essa gulodice, depois de comer foi até difícil levantar rsrs.

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Nos despedimos com muitos abraços apertados e falas de agradecimentos, mesmo não sendo fácil achar palavras que possam expressar nossa gratidão e felicidade por poder pisar naquele chão!

” O senhor jongueiro,

O cheiro está muito bom,

A comida está na mesa,

E aqui nesse terreiro,

Só tem Rainha e Princesas ”

(Ponto do Jongo de Lagoinha)

Ao final, nos despedimos dessa caravana com muitas lembranças, memórias, aprendizados e vivências e aguardamos ansiosamente os próximos encontros. E que o Centro de Referência de Jongo de Campinas continue a todo vapor. Até a próxima.

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Bianca Lucia Martins Lopes, Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Fotos: Neander Heringer (Ponto de Cultura NINA).

Assista a entrevista na íntegra com o grupo cultural Orgulho Caipira:

Caravana Centro De Referência Jongo – Quinta Parada: “Piquete – Comunidade Jongo de Piquete”

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” Ô Galo Rosa,

Tenha dó do meu pená,

Minhas penas são douradas galo sereno,

Eu tenho medo de morar na engoma ”

(Ponto do Jongo de Piquete)

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Hoje fomos até Lorena-SP, para nos encontrarmos com o Mestre Gil do Jongo de Piquete-SP, lá fizemos umas paradinha de 10 minutinhos até que ele chegasse para nos guiar até Piquete, aonde iríamos ficar e começar nossos trabalhos.

Chegando, fomos muito bem recebidos por sua família, Élida Liderança do Jongo de Piquete, sua mãe Dona Vera Lucia, Suellen sua irmã e seus dois filhos, Letícia e João que nos apresentaram sua casa e quintal imenso, com ferramentas de que ainda irão construir mais três quartos.

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Mestre Gil conta que é nesse quintal maravilhoso aonde acontece a grande Festa de Santo Antônio realizada pelos jongueiros, que recebe aproximadamente 300 pessoas e um fogão a lenha gigantesco…

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Almoçamos por ali mesmo: arroz, feijão gordo, costelinha e salada de alface, tomates cereja, com almeirão, uma delícia!!

Terminamos de comer e já nos direcionamos até o Hotel aonde iríamos ficar, o Vale das Colinas.

Um lugar imenso, muito acolhedor com uma piscina para relaxarmos rsrs. Depois de um pequeno momento de lazer, nos aprontamos e já tratamos de ir pra casa do Mestre Gil, aonde iríamos realizar nossa roda de conversa. Ao chegarmos, alguns membros do Jongo de Piquete nos receberam com sorrisos e felicitações de saudades e logo sentimos o calor do fogão a lenha, que já estava ligado sendo conduzido pelo Mestre Gil, com a Canjiquinha e torresmos no fogo!

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Sentamos todos no quintal para a Oficina de Torços e Turbantes com as irmãs Jongueiras de Dito Ribeiro Dandewara e Noélia, até que o Mestre Gil estivesse pronto para conversamos.

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Incrível como as Mulheres do Jongo de Piquete se sentiram empoderadas com os Torços e Turbantes nas cabeças, e as crianças não queriam tirar por nada!

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Jantamos a Canjiquinha com torresmo do Mestre Gil, tão saborosa quanto as outras que já experimentamos nessa nossa Caravana de Pesquisa de Campo.

Já eram 23h e ainda não tínhamos começado nossos trabalhos de entrevistas, com o ritmo de viagem entre estrada e cidades estávamos bem cansados, então, decidimos fazer a parte da entrevista no dia seguinte.

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” O que é que o Quico quer

O Quico quer caqui (2x)

Que caqui que o Quico quer

Quico quer qualquer caqui (2x) ”

(Ponto do Jongo de Piquete)

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Acordamos e tomamos o café da manhã na pousada mesmo… Na hora do almoço já nos encaminhamos até a casa do Mestre Gil para começarmos nossas atividades do dia, fomos recebidos com a lenha do Fogão já quentíssima e uma farofa deliciosa no fogo, almoçamos e depois fomos conhecer alguns pontos da cidade de Piquete-SP que o Mestre Gil fez questão de nos apresentar…

O primeiro lugar que fomos, foi a vista do bairro Caixa D’água, uma montanha gigantesca aonde enxergamos além do bairro da comunidade de jongo a fábrica de Armamento Bélico do Brasil.

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O segundo foi a Serra da Mantiqueira, aonde tinha uma Tirolesa imensa de quase 1 quilomêtro, construída por um senhor de 84 anos que aos 79 desceu pela primeira vez, Seu Josildo. É considerada a segunda maior do Brasil… Bianca, Noélia, Luanda e Alessandra Mestre e Liderança da Comunidade Jongo Dito Ribeiro, Felipe e Neander dos registros se aventuraram e foram experimentar essa aventura, inesquecível… Disseram que deu muito frio na barriga, mas que a sensação de ver aquela paisagem era emocionante!

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Brindamos a superação da nossa Mestre e Liderança Alê Ribeiro que não ia em esportes radicais aproximadamente há 10 anos e pertinho dos seus 4.0 de idade que irá completar daqui alguns dias.

A felicidade estampada no rosto de cada um era contagiante!!!

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A terceira parada foi na Igreja das Almas (Matriz Velha), construída em frente ao Cemitério Municipal em 1875, aonde se deu início na cidade de Piquete-SP.

E a quarta e última parada foi na Estação Ferroviária e Museu, que hoje é o Cartório Eleitoral. Essa estação de trem sempre foi um espaço funcional pra cidade, após 35 anos que parou sua atividade ferroviária, a chave foi entregue duas vezes para o Jongo de Piquete com o objetivo que se fizesse a Casa do Jongo ou até mesmo um espaço Cultural como um Centro de Referência do Jongo. Porém, as chaves foram entregues e dias depois recolhidas, com os argumento.

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” DEVOLVE AS CHAVES ”. Ou seja, o Jongo em Piquete continua sem sede.

Logo após a estação de trem, nos encaminhamos até a casa do Mestre Gil para iniciarmos nossos trabalhos formais, o registro das entrevistas.

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Chegamos e já fomos preparando os equipamentos…

Aos poucos foram chegando alguns membros do Jongo de Piquete que deram início na janta, enquanto começávamos a gravar.

A roda de conversa foi maravilhosa, muitas histórias de visões espirituais que nos deixaram mais curiosos, como uma comunidade Católica tem relação com a espiritualidade assim, tão forte rsrsrs.

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Tiramos a foto principal e partimos pra roda de jongo.

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Terminamos o Jongo e fomos todos jantar em comunhão. Que vivência boa rsrs. A frase de hoje é: “O jongo é banto, mas o tempo… é santo”.

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Saravá Piquete!

” Macaco pula galho,

Eu também quero pular,

Tatu tá cavucando,

Quero ver tamanduá ”

(Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Bianca Lucia Martins Lopes, Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Fotos: Neander Heringer (Ponto de Cultura NINA)

Assista a entrevista na íntegra com a Comunidade Jongo de Piquete:

Caravana Centro De Referência Jongo – Quarta Parada: “São Luíz do Paraitinga – Memórias do Raizeiro”

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” Ontem tinha cem,

Hoje aqui tem pouco,

Canta sinhá, canta,

Bananeira não tem oco.

Cachoeira! ”

(Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Hoje acordamos mais dispostos para a volta aos trabalhos formais, depois de uma pausa de três dias para organizamos nossos materiais, tratar as fotos, editar alguns vídeos e escrever os textos…

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Ao chegarmos em São Luiz do Paraitinga nos surpreendemos com a diversidade de cores dos prédios no centro da cidade, semelhante ao Pelourinho em Salvador-BA.

Fomos até o Centro Turístico e Cultural Nelsinho Rodrigues, aonde nos encontramos com o Eduardo Coelho Diretor de Turismo e com o Leandro Barbosa Diretor de Cultura, que nos acompanhou até o Bairro Raizeiro. Este nome ao bairro se deu por causa do Seu Raizeiro, que foi quem fez Jongo por muito tempo na cidade.

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Seu Raizeiro ganhou este apelido por ser um grande conhecedor de ervas e das plantas, e passou a cuidar e curar muitas pessoas… Seu Raizeiro foi até parteiro!! E por isso Raizeiro, por trabalhar com as Raízes das coisas.

Depois de quase 20 minutos de estrada de terra, chegamos a casa de Dona Maria, esposa do falecido seu Raizeiro, a casa mais parece um Sítio, com galinhas, galos, cachorros, gatos, patos e também muitos pintinhos.

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 Dona Maria é uma senhora de 70 anos que nos recebeu de braços abertos, assim como nós, ela adora uma prosa rsrs… Que logo nos contou as memórias de seu falecido marido, Seu Raizeiro, que faleceu aos 65 anos com uma árvore presa em sua perna.

Enquanto Dona Maria nos contava de Seu Raizeiro, a marmita que trouxemos já estava sendo aquecida. Afinal… Vida de registro em campo é assim tudo se reaproveita rsrsrsrs…

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Assim que ficou quente a comida, sentamos todos na mesa da cozinha para almoçarmos…

Dona Maria não comeu, diz que depois do almoço ela não rende, o sono e a moleza toma conta do corpo.

E nós quem dizemos isso com a moleza que dá rsrs, aquele som dos pintinhos piando, estavam sendo um dado sonífero para os nossos ouvidos, mas claro, o papo estava tão bom que a curiosidade por conhecer as histórias, não nos deixou nem se quer piscar!!

Logo após, fomos até o quintal para começarmos nossa roda de conversa…

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Tivemos que interromper a filmagem, pois, a chuva chegou e chegou forte. Mas, nada que acabasse com clima, até porque, Dona Maria abrilhantou ainda mais as histórias que ela tinha para nos contar com seu sorriso.

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Terminamos os trabalhos da manhã e parte da tarde, nos despedindo da Igreja do Bairro Raizeiro e comendo goiabas no pé.

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”Bananeira foi plantada,

Lá no meio do Café,

Olha safra foi embora,

Bananeira está de pé.

Cachoeira! ”

(Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro).

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Ao chegarmos na pousada “Cantinhos do Chalé” onde iríamos passar a noite, nos deparamos com um lugar maravilhoso, chalés aonde podíamos escolher em que quartos queríamos ficar, verde da natureza por toda nossa volta, e os donos, ah os donos… Uma família muito acolhedora, carinhosa e especial, fizeram nos sentir literalmente em casa.

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Com o nascer da Lua, chegou Seu Ditão, um jovem senhor de olhos claros, azuis como água de piscina, que nos proporcionou conhecer suas belas poesias… Um grande apreciador, devoto de Sací-Pererê e jongueiro velho, que por sinal, era amigo-irmão de Seu Raizeiro.

Rimos com suas estórias de Saci, fizemos uma rodada de desafios de jongo… bom demais…

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Seu Sérgio, dono da pousada nos avisou que a janta estava pronta. Afinal sua esposa Dona Adelaide foi quem nos deu a alegria da gula de conhecer alguns dos deliciosos pratos da culinária de São Luiz do Paraitinga, comemos até, pra variar rsrs… E pra terminarmos nossa noite com chave de ouro, uma linda cobra Cascavél se apresentou pra nós, Arroboboi!! Que cobra maravilhosa… Mas, em meios tantos bambuzais de Iansã, seria inevitável! Axé.

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A frase de hoje é: ” Nunca é tarde para voltarmos atrás e buscarmos as nossas raízes. Sankofa ”

Bora pra Piquete-SP a caminhada continua…

” Tem que ter jongueiro novo, ôlelê,

Pois o Jongo não pode acabar, (2x)

Cada jongueiro novo, que nasce ôlele,

É um sol pronto para raiar (2x).

Cachoeira! ”

(Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Bianca Lucia Martins Lopes, Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Fotos: Neander Heringer (Ponto de Cultura NINA)

Entrevista com pessoas que trazem memórias do Jongo em São Luis do Paraitinga-SP:

Caravana Centro De Referência Jongo – Terceira Parada: “Jongo do Tamandaré”

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”Gosto da luz divina

Pro meu caminho iluminar, (2x)

Eu pedi a Nossa Senhora

Pra beijar o seu altar (2x) ”

(Ponto da Comunidade Jongo Dito Ribeiro)

Hoje estávamos bem ansiosos pra ida até a casa da nossa madrinha Mestra Lúcia do Jongo de Tamandaré… Acordamos um pouco tarde pois fomos dormir quase 4 horas da manhã terminando os relatórios das vivências passadas.

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 Chegamos na casa da Mestra Lúcia e mais uma vez, fomos muito bem recebidos pelo André liderança do Jongo de Tamandaré, que logo já nos encaminhou até a cozinha da casa, lugar que por sinal nós adoramos.

Chegando lá nossa surpresa maior foi encontrar uma lage com uma vista maravilhosa das montanhas e do bairro inteiro de Tamandaré.

Um terreiro de Jongo com terra batida, mesas e cadeiras, além de uma refrescante sombra das árvores que cercam a casa, e claro… galinhas, símbolo do terreiro que ali chegávamos.

 Ali é mesmo um terreiro de galinha… Salve tia Mazé!!!!

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Sentamos do lado de fora pra conversarmos e colocarmos o papo em dia enquanto alguns foram até ao supermercado comprar as coisas pra comida…

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Seu Divino, um senhor da comunidade jongueira que chegou como quem não quisesse nada, nos surpreendeu pelo gau de sabedoria e vivências sobre africanidade e identidade na cidade de Guaratinguetá, e aos 65 anos, afirma ter 130 de ancestralidade viva dentro dele. Logo após, a nossa Mestra Liderança Alessandra Ribeiro, perguntou pra Mestra Lúcia o que ela se lembra da chegada dela na Comunidade de Tamandaré e depois como foi o processo de apadrinhamento da Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

 A emoção que sentimos quanto jongueiros de Dito Ribeiro ao lembrar da Tia Mazé, que foi a avó de coração da nossa Mestra Liderança Alessandra Ribeiro não tem igual, o corpo arreia, o coração acelera e a sensação presencial de Dito Ribeiro e Tia Mazé é inexplicável!!!

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Mestre Totonho logo chegou com seu caderno com mais de 300 pontos de jongo, sentou perto de nós e abrilhantou nossa tarde com seus pontos…

Enquanto conversávamos e cantávamos os pontos de Jongo, Tia Edna e Iara, irmã da Mestra Lúcia Maria, nos avisou que a comida estava pronta. O famoso e delicioso Fricassê! Um prato afro francês criado pela comunidade e como sobremesa pavê de limão… afff Maria… que gulodice deliciosa, nos acabamos…

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Terminamos de almoçar e já demos início na Oficina de Torços e Turbantes… As crianças do Jongo de Tamandaré ficaram encantadas e já logo trataram de fazer suas próprias amarrações.

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 Em seguida juntamos a Mestra Lúcia e os outros irmãos do Jongo de Tamandaré para darmos início na nossa roda de conversa.

Precisamos dar uma pausa, pois a luz do sol já não era mais suficiente pra gravarmos…

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Mas rapidamente já voltamos e finalizamos com uma roda de jongo maravilhosa. É sempre muito bom estar com nossos padrinhos!!!

E a foto final não pode faltar, agradecemos ao Jongo do Tamandaré!

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A frase de hoje é:  Cabeça erguida e pé no chão!

A benção nossos padrinhos.

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” Meu cachorrinho

Foi pro mato caçar,

O que é que ele trouxe, boa Sinhá?

Boa sinhá, boa sinhá.

O que é que ele trouxe, boa sinhá? ”

(Ponto do Jongo de Tamandaré)

Bianca Lucia Martins Lopes, Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Fotos: Neander Heringer (Ponto de Cultura NINA)

Assista o Conversas, Mirongas e Tambus 3 – Com a Comunidade Jongo do Tamandaré: